quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Frase da Semana

"O planeta não vai ser salvo por quem tira notas altas nas provas, mas por aqueles que se importam com ele." Howard Gardner - Revista Nova Escola out/2009.

quarta-feira, 29 de julho de 2009

Café Espresso (com "s") ou Café Expresso (com "x")?


Café Espresso (com "s") ou Café Expresso (com "x")?
O expresso legítimo ainda é raro por aqui
PASQUALE CIPRO NETO


"Café expresso -está escrito na porta./Entro (...)/Meio tonto,/por haver acordado tão cedo.../E pronto! Parece um brinquedo.../Cai o café na xícara (...)/maquinalmente./E eu sinto o gosto, o aroma, o sangue quente de São Paulo/nesta pequena noite líquida e cheirosa/que é a minha xícara de café."
Assim começa "Café Expresso", escrito nos anos 50 por Cassiano Ricardo (1895-1974), que não hesitou: escreveu "expresso". Em português, é mesmo com "x" -não temos a palavra "espresso", com "s".
O café rápido, feito na hora, em máquinas italianas, é mesmo "expresso", que, entre outros, tem o sentido de "enviado rapidamente, sem delongas".
Foi com meu pai que aprendi a tomar café. Aos domingos, no início dos anos 60, íamos ao encontro de seus amigos italianos. "Gli amici" se reuniam na Barão de Itapetininga. Depois de boas conversas, a tradicional ida ao Café Haiti, uma das primeiras casas a servir expresso em São Paulo.
Mas expresso legítimo, por enquanto, só na Itália -e em alguns pouquíssimos lugares no Brasil. Na Itália, nunca precisei descabelar-me para receber um café encorpado, pleno de sabor e de aroma. Lá, pode-se pedir que seja mais curto do que o normal ("ristretto") ou "lungo" ("longo"), ainda assim denso o bastante para que se sinta gosto intenso de café. Delicio-me com o teste do açúcar, que só afunda depois de empurrado com a colher.
Por aqui... Explico, digo mil vezes como quero o café e quase sempre recebo água preta, rala, sem gosto.
Já passou da hora de termos o sagrado direito de saborear um legítimo expresso em qualquer lugar em que haja uma máquina italiana. Poderemos então escolher entre a nossa grafia ("expresso") ou a italiana ("espresso"), que -por que não?- poderia ser adotada como palavra universal, tão universal quanto "pizza". Mas, antes de adquirirmos o direito de grafar "espresso", precisamos aprender a fazê-lo e, sobretudo, a tomá-lo -a maioria dos brasileiros gosta mesmo é de chafé.
Nos nossos supermercados, já se encontram belos cafés adequados para bons expressos, mas ainda faltam profissionais e casas em quantidade suficiente para que o prazer de um legítimo expresso esteja sempre à mão. É isso.

Faço minhas essas tão belas palavras.

sexta-feira, 16 de maio de 2008

FATOS, DADOS E OUTROS PAPOS



Esse texto circula na internet já tem algum tempo, inclusive utilizei-o certa vez em uma aula, sem duvida é altamente emblemático no que  refere as distinções relativas a população mundial, todavia só pra efeito de curiosidade, levantarei aqui algumas breves indagações que não tem  objetivo de diminuir o impacto dessas informações, mas sim questionar certos apontamentos apenas como curiosidade.

A TERRA EM MINIATURA

Se pudéssemos reduzir a  população da Terra a uma pequena aldeia de  exatamente 100 habitantes, mantendo as proporções existentes atualmente, seria algo assim:

57 asiáticos

21 europeu

pessoas do hemisfério oeste

(tanto norte como sul) e

8 africanos

52 seriam mulheres

48 homens

70 não seriam brancos

30 seriam brancos

70 não cristãos

30 cristãos

89 heterossexuais

11 homossexuais confessos

6 pessoas possuiriam 59% da riqueza de toda a aldeia e os 6 (sim, 6 de 6)seriam norte americanos.

Das 100 pessoas,

80 viveriam em condições subhumanas

70 não saberiam ler

50 sofreriam de desnutrição

1 pessoa estaria a ponto de morrer

1 bebê estaria prestes a  nascer

Só 1 (sim, só 1) teria educação universitária

Nesta aldeia haveria só1 pessoa que possuiria um computador.

Vamos aos tais apontamentos:

57 asiáticos

21 europeus

04 americanos (Norte, Central e Sul)

08 africanos

90 Total

10 seriam alienígenas?

 

30 Brancos

70 não seriam brancos (meio óbvio, né?)

 

30 Cristãos

70 Não Cristãos (também achei meio óbvio)

 

89 heterossexuais

11 homossexuais confessos (os sãopaulinos estão aqui computados? – desculpe não resisti.)

6 pessoas teriam 59% de toda a riqueza e os 6 (sim os 6) seriam norte americanos (ué... mas na aldeia não tinha só 4 americanos?)

80 viveriam em condições sub-humanas - vamos tirar os 4 americanos, afinal eles detém 59% da riqueza, vamos tirar os 21 europeus, portanto temos 25 pessoas em condições satisfatórias de vida, tirando da totalidade da aldeia 100, sobram 75. Bem para 80 temos uma diferença de 5, isso quer dizer que tem gente aí passando por necessitado, provavelmente pra ganhar bolsa família ou vale refeição na faixa.

30 saberiam ler (provavelmente os 4 americanos e os 21 europeus, desse jeito nos resta espaço ainda para 5 leitores, descartemos os africanos - por favor sem qualquer etnocentrismo - temos então como prováveis participantes do exclusivo Círculo do Livro, os 5 asiáticos, dada a proporcionalidade populacional deva ser 3 chineses e 2 indianos, uns escrevem mandarim os indianos só Deus sabe, moral da história só o primeiro mundo mesmo é quem vai mandar na imprensa. 

1 só teria curso universitário (nesse caso deve ser o americano, possivelmente formado em direito e que vai se candidatar ao Senado Federal, e claro será homossexual)

Nesta aldeia haveria só 1 pessoa que possuiria um computador (esse com certeza  seria a bicha aí de cima)

Cabe ainda algumas outras duvidas de caráter investigativo, por exemplo, essa pessoa que estaria pra morrer, foi alvo de um assassinato passional, foi vitima de atentado, guerra, bala perdida, acidente de carro, câncer no pulmão, AIDS, coração? - ou foi o senador que se matou quando veio a público o conteúdo dos emails recheados de mensagens explícitas de assédio para um jovem asiático estagiário?)

Quanto ao bebê só sei de uma coisa, não é meu, nem conheço a mãe direito, e se falar que parece comigo eu processo, porque só transo de camisinha... epa esse dado não apareceu.


domingo, 11 de maio de 2008

Teoria do Barulho


Paulinho no alto de seus 4 anos, enquanto brincava sozinho no quarto,  derrubou algum objeto que ao bater no assoalho de madeira que revestia o chão, acabou por fazer um barulho desproporcional tanto ao tombo quanto ao objeto em questão - provavelmente o controle remoto da TV. 
Como estava confortavelmente sentado vendo TV na sala, fiz o que todo adulto - principalmente do sexo masculino - faria em um momento como esse, sem me levantar gritei:
- Paulinho!!!! O que foi isso???
Acredito que nós adultos perguntamos essas coisas, já conscientes que a resposta nunca vai nos agradar, porém quase que instintivamente o fazemos, provavelmente como forma de defesa natural nossa de não precisar se levantar e ir até o local do ocorrido, e constatar que na verdade não valeu o esforço de ir presenciar o fato em questão.
Afinal o que Paulinho com sua diminuta força física poderia ter derrubado, que objeto de valor inestimável teria no quarto que valeria um sequência de movimentos do meu corpo até lá. Levantar-se assim de pronto, sei lá o que poderia causar em um adulto com o corpo em pleno repouso. Alguns poderiam chamar de preguiça, mas o homem sabe que cada tendão, articulação ou nervo como queiram, pode sofrer uma lesão de um momento para outro.
Dessa forma, só nos resta então a saída do grito, pronunciado firme e eloquente, simbolizando o poder do adulto macho, como um rosnado feroz que alcança o filhote que sabe que agora terá que se justificar pela falta cometida.
E passado aqueles segundos após o estrondo, lá vem a criança em um misto de assustada e surpresa com as mãozinhas postas com as palmas pra cima, como se quisesse dizer que daquelas mãos nada de mais aconteceu.
E diz com aquela negação própria dos justos e sinceros:
- Pai, é mentira do barulho!



sábado, 10 de maio de 2008

Não tenho duvidas que no próximo ano eu chego lá...

















"De laranjas e minério de ferro a biocombustíveis, as exportações do Brasil estão estourando, criando uma nova geração de magnatas. O clube de milionários do Brasil aumentou de 130 mil em 2006 para 190 mil no ano passado - uma das taxas mais rápidas do mundo, de acordo com um estudo do Boston Consulting Group" Gigante da América do Sul está acordando - BBC BRASIL - 10/05/08

domingo, 13 de abril de 2008

O dinossauro, a criança e o descrente


Certa ocasião fui chamado para trabalhar em uma escola particular, para ministrar aulas de história, até aí tudo bem, estava fora da rede pública naquele momento e tinha horas disponíveis para o exercício da docência, além do que, estava precisando ganhar uns trocados a mais, afinal, a família tinha aumentado.

Durante a entrevista é que me dei conta que a escola era confessional, mais propriamente evangélica, em que todas as crianças eram evangélicas, os pais dessas crianças evangélicas também eram evangélicos , além de todo corpo docente, faxineiros, porteiros, coordenadores e obviamente, a Direção. E lá estava eu, o último dos ateus, pronto para ministrar aulas de história para as séries do ensino fundamental em uma escola  que antes de iniciar as aulas pela manhã, todos se reuniam no templo, que ficava abaixo das salas de aula, e adivinhem, oravam.

Poucas vezes me senti tão peixe fora d´água como naquela época.

Lembro-me de ter perguntado para a diretora como deveria abordar determinados temas, digamos, mais delicados da história, como por exemplo sobre a pré-história, afinal eu sabia que de acordo com o antigo testamento, o mundo teria cerca de apenas 6 mil anos, e que essas questões sobre a pré-história nunca foram bem digeridas pelos mais fanáticos fundamentalistas evangélicos. Entretanto, a resposta da diretora me pegou desprevinido, pois deveria explicar  a origem do homem por meio da chamada concepção científica, porém sem jamais por em questão o pensamento religioso. Não questionar a visão religiosa, pensei, minhas horas aqui estão contadas.

Bem, entrei na sala, uma quinta-série, as crianças tinham aquele olhar de lobo predator pronto para atacar o pobre novilho, um misto de curiosidade, com ares de sadismo, percorriam naqueles supostamente inocentes. Eu sabia, que ali existiam dentro daqueles corpinhos, seres capazes de destruir minha fé (obviamente me refiro a fé docente), pois a diferença entre crianças cristãs, judias, islãmicas, ou qualquer que seja sua base religiosa, com certeza não está em seu comportamento dentro de uma sala de aula. Resolvi então utilizar, meus dois maiores expoentes pedagogos para conseguir atenção e ao mesmo tempo por ordem naquele pesadelo de Dante, busquei nas teorias do velho e sempre bom Piaget  e resgatei do exílio o bem amado Pinochet, sim o velho general chileno, para conseguir acalmar aquelas criaturas de Deus (?).

Dessa forma, consegui organizar a sala e mandei ver. Como não podia ser diferente o primeiro assunto da apostila, era justamente a bendita pré-história, sim senhores, estava eu preso a esse conteúdo herege que é o período paleolítico.

Resolvi então usar a velha máxima de botequim, se está no inferno abrace o diabo. E lá fui eu, discorrendo sobre o começo da humanidade, do momento em que homem se diferenciou dos macacos, de sua luta pela sobrevivência, da dominação do fogo, da invenção da agricultura, e todas essas outras coisas, sem muito importância que foram criadas naquela época e que devemos saber nos dias de hoje.

As crianças viajaram comigo para aquele mundo desconhecido, vivenciaram essas descobertas, sentiram o gosto do conhecimento, é nessa hora que você percebe o porquê de querer abraçar r o sacerdócio da docência. Porém, assim como no Éden existia uma serpente, fui posto a prova por uma terrível criatura. 
Uma menininha de olhar faceiro, de tranças douradas e sardas ao redor de um minusculo nariz, o qual apoiava um óculos arredondado, resolve acabar com minhas pretenções de ganhar um Oscar de melhor professor de história de escolas evangélicas, quando me ataca com a sua pergunta mortal:

- Professor, não entendo uma coisa, porque não existem dinossauros na Biblia?

Essa pergunta me pegou disprevinido, como se eu estivesse fazendo algo errado, sabe aquela sensação de ter sido você quem apanhou a fruta proibida e deu uma dentada no exato momento em que o Criador resolveu ver o que você estava fazendo?

Tentei desvencilhar da resposta, utilizando meus conhecimentos socráticos, jogando os questionamentos para que viessem deles a solução desse enigma. Porém, Sócrates essa hora me faltou, deve ter tomado cicuta dentro de mim. 
Maldito filósofo, porque me abandonastes?

E lá estava eu acuado, defronte aqueles pequenos seres malignos, que naquele momento queriam ver o meu sangue. O silêncio que seguiu foi constrangedor, conseguia ouvir a respiração da menina que me olhava argumentativa, podia mesmo ouvir meus batimentos cardiacos acelerados, afinal a resposta errada mesmo que fosse certa, custaria meu emprego.

É nessa hora que a gente vê aquele filme da nossa vida passando, em milésimos de segundos, fui de minha infancia feliz, passando pela universidade e chegando até o dia da entrevista com a diretora daquela escola, que naquele momento me parecia mais ameaçadora que os inquisidores do Tribunal do Santo Ofício. 
Respirei fundo, meditei, fiz aquele jogo de cena, que Luiz XVI deve ter feito segundos antes de colocar a cabeça na guilhotina e respondi:

Não existem, porque não cabem!

E saí em disparada, junto com o toque do sinal que a providência divina, tal qual as trombetas do arcanjo Gabriel, fez ecoar pela escola.