domingo, 11 de maio de 2008

Teoria do Barulho


Paulinho no alto de seus 4 anos, enquanto brincava sozinho no quarto,  derrubou algum objeto que ao bater no assoalho de madeira que revestia o chão, acabou por fazer um barulho desproporcional tanto ao tombo quanto ao objeto em questão - provavelmente o controle remoto da TV. 
Como estava confortavelmente sentado vendo TV na sala, fiz o que todo adulto - principalmente do sexo masculino - faria em um momento como esse, sem me levantar gritei:
- Paulinho!!!! O que foi isso???
Acredito que nós adultos perguntamos essas coisas, já conscientes que a resposta nunca vai nos agradar, porém quase que instintivamente o fazemos, provavelmente como forma de defesa natural nossa de não precisar se levantar e ir até o local do ocorrido, e constatar que na verdade não valeu o esforço de ir presenciar o fato em questão.
Afinal o que Paulinho com sua diminuta força física poderia ter derrubado, que objeto de valor inestimável teria no quarto que valeria um sequência de movimentos do meu corpo até lá. Levantar-se assim de pronto, sei lá o que poderia causar em um adulto com o corpo em pleno repouso. Alguns poderiam chamar de preguiça, mas o homem sabe que cada tendão, articulação ou nervo como queiram, pode sofrer uma lesão de um momento para outro.
Dessa forma, só nos resta então a saída do grito, pronunciado firme e eloquente, simbolizando o poder do adulto macho, como um rosnado feroz que alcança o filhote que sabe que agora terá que se justificar pela falta cometida.
E passado aqueles segundos após o estrondo, lá vem a criança em um misto de assustada e surpresa com as mãozinhas postas com as palmas pra cima, como se quisesse dizer que daquelas mãos nada de mais aconteceu.
E diz com aquela negação própria dos justos e sinceros:
- Pai, é mentira do barulho!



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