quinta-feira, 10 de junho de 2010

Em Tempos de Bom Futebol

As minhas melhores lembranças daquela fase em que não somos mais crianças e tampouco adolescentes, é num campinho de futebol. Época em que após a chegada da escola, almoçava rapidamente já de olho na bola que ficava pacientemente me esperando para ser chutada.

Com os pés descalços atravessava a rua em direção aquele descampado formado por chão de terra vermelha batida, o qual parecia aos meus olhos o melhor campo do mundo.

Em ocasiões especiais organizávamos campeonatos entre ruas ou vilas, e os troféus eram sempre o prazer de vencer o adversário, colocávamos as traves, normalmente caibros emprestados de alguma obra local e a cada gol marcado ou jogada mais trabalhada aplaudíamos.

Na maioria das vezes jogávamos mesmo entre nós, os colegas da turma, era o time do fulano contra o time do cicrano, não tinha necessidade de estabelecer regras, porque essas já existiam no consciente coletivo.

Corríamos até o pulmão arder, chutávamos até o pé criar bolhas, e as canelas secas de tão magras ostentavam lindas marcas arroxeadas que se destacavam e nos enchia de orgulho, pois ali era o registro do drible perfeito que tinha humilhado o nosso oponente.

Lembro das mães no entardecer, gritando quase que ao mesmo tempo o nome de cada um dos seus filhos, e só parávamos o jogo, quando o dono da bola era ameaçadoramente chamado por sua mãe.

Em casa, era banho, fazer a lição, comer, ver um programa na TV e antes das 10 da noite, independente de poder ou não ficar mais tempo acordado, o sono nos levava. E os sonhos sempre começavam com a bola, ali esperando pacientemente para ser chutada.

Nenhum comentário: